Produção de carne de jacaré
 

A produção de carne e pele de jacarés criados em cativeiro com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai ganhar novo impulso no estado de Mato Grosso, pioneiro no País nesse tipo de atividade. Na quinta-feira (27), foi assinado no município de Cáceres, a 214 quilômetros de Cuiabá, um acordo que vai propiciar investimentos de R$ 940 mil para a qualificação da atividade até o fim de 2008. O foco desse acordo é o acesso a novos mercados. Os recursos serão empregados na qualificação dos produtores dos municípios Cáceres e Poconé, por meio da participação em cursos, feiras e missões empresariais, além de investimentos na melhoria de técnicas de manejo. Os produtores atendidos são vinculados a pequenas empresas da região e à Cooperativa de Criadores de Jacaré do Pantanal (Coocrijapan). Dos R$ 940 mil a serem aplicados até 2008, R$ 438 mil serão de investimentos do Sebrae, que somente em 2006 vai aportar R$ 200 mil na criação de jacaré em cativeiro para produção de carne e pele. O restante dos recursos virá dos próprios produtores envolvidos e também de parceiros como governo do estado por meio de diversas secretarias estaduais, Ibama, Escola Agrotécnica Federal de Cáceres, Universidade do Estado de Mato Grosso, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em Mato Grosso (Senai-MT), Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), prefeituras de Cáceres e Poconé, entre outros. O diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, César Rech, esteve em Cáceres para participar da assinatura do acordo de resultados, que possibilitou a entrada do projeto Animais Silvestres na Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor). A metodologia, já foi adotada pelo Sebrae e parceiros em mais de 300 projetos em todo o País. O objetivo é possibilitar o acompanhamento e o monitoramento das ações, permitindo verificar se os resultados definidos pelos empresários atendidos estão sendo de fato alcançados. "O fato de todas essas instituições estarem firmando esse acordo é algo muito importante porque é um marco do compromisso do Sebrae, dos parceiros e dos empresários no sentido de caminhar na mesma direção", assinalou o diretor do Sebrae Nacional. "A Geor tem o mérito de qualificar as parcerias e isso traz mais e melhores resultados para empreendedores e micro e pequenas empresas, público-alvo e razão de existir do Sebrae", acrescentou. Para Rech, o investimento de R$ 438 mil do Sebrae para apoiar os criadores de jacaré em cativeiro se justifica pelo fato da atividade ser inovadora e impulsionar a economia da região de Cáceres e Poconé. "É uma iniciativa importante porque é economicamente viável, ecologicamente sustentável e socialmente justa", afirmou. Segundo ele, a criação de jacaré em cativeiro, com autorização e acompanhamento do Ibama, abre para a região um potencial de inclusão social e de geração de emprego e renda. Na avaliação do superintendente do Sebrae em Mato Grosso, José Guilherme Barbosa Ribeiro, o projeto Animais Silvestres nasce com um viés importante de política pública. Isso porque todas as ações são previamente acertadas com empresários, prefeituras e demais parceiros, o que cria um ambiente favorável para a busca dos resultados definidos pelos empresários envolvidos. "O Sebrae não faz nada sem estar de comum acordo com os empresários, as prefeituras e os parceiros, porque são esses atores que conhecem de perto a realidade local", frisou José Guilherme. "O trabalho não é da Instituição, mas do grupo gestor do projeto, formado por todos esses parceiros e pelos empresários", continuou.
O presidente da Coocrijapan, Gentil Gusman, disse que o acordo assinado na quinta-feira vai possibilitar a execução de duas ações fundamentais para os criadores de jacaré em cativeiro da região de Cáceres e Poconé. A primeira é a obtenção do selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para produtos de origem animal emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O selo permitirá que a carne do jacaré seja vendida em outros estados e, principalmente, exportada. O abatedouro da Coocrijapan instalado em Cáceres já possui o selo do Serviço de Inspeção Estadual (SISE). A planta industrial concluída em 2004, a partir de investimentos de R$ 400 mil dos próprios cooperados, segue todos os padrões de higiene e segurança. Por isso, Gentil Gusman acredita que a obtenção do SIF esteja perto de ocorrer. "Há uma grande demanda pela carne fora do Mato Grosso e a obtenção do SIF vai nos abrir novos mercados", condiderou. Para o presidente da cooperativa, a mobilização em torno da atividade também facilitará o investimento em um outro ponto fundamental para a Coocrijapan. A construção de um curtume de pequeno porte próximo à área do abatedouro e que deve consumir recursos da ordem de R$ 150 mil. Com isso, os cooperados poderão beneficiar a pele do animal, serviço que hoje é feito por curtumes do Rio Grande do Sul. "Dessa forma teremos mais competitividade no mercado", avaliou. Para o prefeito da cidade de Cáceres, Ricardo Henry, a articulação em torno do projeto é mais uma ação no sentido de promover o desenvolvimento do município. "É um projeto inédito, com know-how construído em Mato Grosso e que está sendo abraçado pelo Sebrae. Por isso, tenho certeza que ele terá um presente e um futuro promissor", destacou. Para Henry, o Sebrae tem o mérito de articular parcerias em torno de projetos importantes para o município. Segundo ele, além do incentivo à produção de carne e pele de jacarés, a Instituição apóia ainda atividades como apicultura, turismo, varejo e artesanato na cidade mato-grossense. "O Sebrae sempre dá uma aquecida no ânimo dos empresários e isso é muito importante", assinalou. Também participaram da assinatura do acordo de resultados o vice-prefeito de Poconé, Arlindo Márcio de Moraes; o secretário municipal de Planejamento de Cáceres, Adilson Reis; a equipe técnica do escritório do Sebrae em Cáceres liderada pelo gestor do projeto, Rubens de Pinho Filho; além de representantes de instituições financeiras de fomento e de outras autoridades da região de Cáceres e Poconé.


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